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Pukiki - The Portuguese Americans of Hawaii
The Pukiki - The Portuguese Americans
of Hawaii é um extraordinariamente
bem concebido documentário produzido e dirigido
pelo P. Luís Proença, SJ, com Chris Wilson
como responsável pela fotografia.
"Pukiki" é o termo havaiano para designar os portugueses,
cuja intensa emigração para as ilhas
teve lugar entre 1878 e 1913. Alarmado pelo chamado "perigo
amarelo", a chegada de asiáticos
que se ia rapidamente avolumando, o governo do Havai
decidiu tentar o projecto oficial de persuadir europeus
a fixarem-se no arquipélago.
A única nação que reagiu positivamentemente
a esta iniciativa foi Portugal.
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Sucessivas levas de trabalhadores
portugueses, sobretudo originários dos Açores
e da Madeira, foram então organizadas
por acordo entre os dois governos. Contratados
para serviço nas plantações
de cana-de-açúcar, os recém-chegados
com frequência superaram
a sua condição de trabalhadores braçais
e ascenderam a lugares de lunas, ou seja capatazes, ou
enveredarem por ocupações tais como pedreiros,
pequenos comerciantes, criadores de gado leiteiro ou
cultivadores de café.
À medida que os anos decorriam, os portugueses uniram-se por casamento
a membros de outras minorias raciais mas mantiveram uma firme identidade, assim
como as suas tradições
culturais. Os antigos camponeses não se tornaram
evidentemente haoles (a dominante classe anglófona)
mas conseguiram formar uma sólida, próspera
e respeitada comunidade ao nível de classe média.
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É a história dos seus conseguimentos
que constitui o cerne deste documentário. A
análise
desta trajectória
foi muito acertadamente confiada ao Professor Edgar Knowlton,
sem dúvida quem mais
vasta e meticulosamente tratou a história da presença
portuguesa no Havai. Nesta linha, uma igualmente valiosa
contribuição a este
documentário foi proporcionada pela pesquisadora
Audrey Rocha Reed, de ascendência
madeirense. The
Pukiki é profusamente ilustrado com imagens
dos navios que transportaram os primeiros emigrantes,
tal como da vida nas plantações. Por
outro lado, entrevistas com luso-havaianos permitem
uma panorâmica visão das actuais actividades
do grupo e da preservação das tradições
trazidas da terra de origem desde há mais do
que um século. Também estas entrevistas
claramente revelam a firme e orgulhosa aderência à ancestral
individualidade que marca esta minoria. |
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A continuidade
cultural patenteia-se em sequências focando cerimónias
religiosas, bailes e canções
populares ou aspectos da vida diária tais como
o cozimento de pão
em fornos de pedra, a preparação das malassadas
(a designação micaelense
das filhós) que se tornaram particularmente apreciadas
nas ilhas, do "Portuguese
sweet bread"(a massa sovada açoriana) ou
da morcela. Uma ênfase
especial é dedicada à história do
instrumento conhecido como ukulale descendente directo
do cavaquinho minhotoe do braguinho madeirense introduzidos
pelos primeiros imigrantes.
Um toque quase poético é dado através
do documentário por frequentes vistas da rebentação
na praia ou contra as rochas, presumivelmente simbólica
de um oceano funcionando como elemento de separação/aproximação à pátria
de antanho.
Review by
Prof. Eduardo Mayone Dias
Emeritus Professor |
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